terça-feira, 19 de agosto de 2008

12/08 - Paranaíba MS / Tanabi SP

Décimo primeiro dia - Km 2790

Acordamos bem cedo, tomamos café e saímos. Com poucos quilômetros de estrada rodada, atravessamos a ponte que divide os Estados MS/MG, uma ponte estaiada muito bonita, com uma vista muito louca.

Por baixo dela passa o Rio Paranaíba que em junção do Rio Grande formam o Rio Paraná.

Começamos bem nos primeiros quilômetros, mas o sol começou a sugar e fomos diminuindo até virar bagaço em Carneirinhos – MG onde paramos e decidimos almoçar ali mesmo, também pra aproveitar da culinária mineira e nos relacionar com os nativos, afinal só estávamos beliscando um “pedacim” do grandioso estado mineiro.

Comemos e fizemos hora, olhamos pra estrada e fizemos hora mais ainda, totalmente sem coragem de enfrentar aquele sol e virar adubo na estrada.

Sentados em duas esteiras de frente a rodovia ficamos observando, de palito na boca, o movimento de caminhões carregando cana de açúcar e gado, muito deles, e foi um desses de gado que encontramos tombado, mais a frente, com vários gados mortos, decepados, um acidente feio. A maior tragédia bovina que eu já vi na minha vida.

Continuando viagem chegou a hora triste de atravessar nossa ultima divisa de estado, MG/SP , hesitamos tanto, o desanimo foi tão forte que no meio da ponte olhamos uns (diria barzinhos flutuantes) quiosques debaixo da ponte beira rio, olhamos um pro outro e voltamos.

Não queríamos voltar, precisávamos, era diferente, e como não somos de ferro tomamos uma gelada ali mesmo na beira do rio grande e comemos uma porção de peixe.

O sol baixou e rodamos até onde deu. Tanabi – SP.

Amanhã vamos levantar “cedim” e fazer 300 até o almoço, de tarde o que vier é lucro.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

11/08 - Lag. Santa GO / Paranaíba MS

Décimo dia - Km 2530

Hoje o dia foi extremamente cansativo, ontem a noite antes de dormir, reparamos que os vídeos que tínhamos feitos (muitos e bacanas demais) não tinham sido salvos direitos e tínhamos perdidos todos porque da câmera apago quando subo.
Depois de martelar a cabeça chegamos a uma solução não muito agradável, voltar na ultima lan que descarregamos as fotos e os vídeos, torcer para não terem apagado e tentar recupera-los, tudo uma improvável e a lan ficava em Inocência, 80 quilômetros de estrada pra trás.
Resolvemos que os vídeos eram recordações importantes e que os 20% de chance que tínhamos era o suficiente pra voltarmos.
De manhã, fomos a lagoa, paga pra entrar, mas hoje segundona foi na faixa. O lugar é muito bonito mesmo, fiquei imaginando minha sogra ali, apesar de que ela não gosta muito de água, mas a beleza de lá enche os olhos.
A água limpinha, quentinha...
Almoçamos, batemos a poeira das botas e terrão novamente.
A solução encontrada foi a seguinte, para que não caíssemos na tentação de voltando tão próximo da Fazenda, bater a vontade de ficar lá de novo, nos hospedamos em um hotel em Paranaíba MS, as 15:30, deixamos a moto do Paulo, as bagagens e fomos de Bros até Inocência. Meu, como foi cansativo. Um sol, o traseiro e as costas doendo, um sono.
Mas chegamos, mais ou menos 15 pras 17 horas.
Achamos os vídeos no Pc, mas foi meio demorado achar uma solução pra armazenar ou enviar. Enquanto eu ficava lá resolvendo isso, o Paulo descobriu que a saída da escola era as 17 horas, tava louco pra ver a piquininha Letícia, porque ela é uma criança “cativante dimais” realmente, fiquei roxo de inveja, queria ver aquele sorrisinho novamente, mas fazer o que né? Alguém tinha que trabalhar.
Conseguimos resolver o problema dos vídeos e voltamos a estrada já de noite.
Aquele trecho é muito perigoso, muito longo, sem nada, só fazendas como já disse, e bicho que atravessam a estrada, por isso o Paulo parou no trevo e disse: “ultima chance de ir pro Mané...”
mesmo morrendo de vontade de voltar pra lá, achei melhor voltarmos pra Paranaíba e foi isso que fizemos ignorando os 90 km perigosos a frente, assumo que com menos de 5 minutos voltando tive vontade de recuar mas persisti.
A nossa... quero dizer, a minha necessidade de voltar imediatamente tem deixado esses últimos dias muito cansativos.
Chegamos exaustos, acabados, nos arrastamos prum restaurante, jantamos, cambaleamos pro quarto e eu vim relatar.
Amanhã pelo certo deveríamos como EU prometi estar chegando, mas como vêem os imprevistos estão atrapalhando (em termos) um pouco, e pelo que sei de onde estamos até São Paulo tem uns 700 km ou mais...
Do jeito que estamos, é quase certo que não conseguiremos.
Então, até quarta pessoal. Será que vai rolar aquele churrasco?

10/08 - Inocência MS / Lag.Santa GO

Nono dia – Km 2265

Com as coisas arrumadas e poses pras ultimas fotos a choradeira começou, foi espontâneo a forma como todos pegaram amor um no outro, e em 2 dias fomos membros da família.
Tudo que fizeram por nós será lembrado pra sempre e esse cantinho tão distante e inalacançavel pra nós ficará guardado pra sempre na nossa memória, esperamos um dia poder voltar antes de 2010 como pediu a fofa da letícia.
Saímos pouco antes do meio dia e numa tomada só chegamos á Paranaíba-MS.
Almoçamos e numa segunda tomada chegamos a entrada da estrada de terra que leva a Lagoa Santa – GO.
São 14 km de terrão, porém bem melhor do que o areiãod a fazenda.
A cidade é bonita, a ponte da entrada simboliza a divisa de estado entre MS/GO, numa ponta eram 17h50 a hora que chegamos e na outra 18h50.
A cidade é bonita, decorada com luzes coloridas e bem tranqüila.
Nos hospedamos e fomos dar um pequeno passeio pra conhecer a cidade.Amanhã visitaremos a Lagoa de águas thermais e transparentes e depois do almoço, a gente ruma pra casa, em minha não tão querida São Paulo.

09/08 - Inocência MS / Inocência MS

Oitavo dia – km 2095

“Os minino!”
Foi assim que o mané as 15 pras 6 da manhã nos acordou pra ajudar, como pedimos, a ordenhar as vacas.
Tiramos leite, tomamos com toddy ali mesmo no curral, andamos de cavalo, descascamos milho pra alimentar os porcos na engorda, fomos à cachoeira.
Um dia cheio de atividades de fazenda como o prometido.
A oportunidade de conhecermos pessoas simples que é capaz de nos acolher naquela situação é tão gratificante pra nós como prazeroso pra eles, a satisfação foi mutua e isso foi notório.
Numa viagem programada isso nunca aconteceria, passaríamos por aquela fazenda á uns 120 km/h ou mais.
Acho que, quem sabe, aqueles que ainda não entendem pra que fazer uma viagem desse tipo, começa a entender.
Na ida pra cachoeira temos que pegar o areia acima até um trecho, e pra gente que é acostumado com asfalto é um esforço tremendo, mas no fundo é uma experiência a mais. Fora o tombo que tomei com a “piquininha” Letícia na garupa. Diz ela que não machucou quando caímos, foi na hora que levantei a moto e larguei em cima dela, daí machucou.
Tadinha, eu não lembro de ter feito isso, mas ela disse, fiquei preocupado mas ela com aquele jeitinho dela, aquele sotaque: “não fica sem jeito não, nem me lembro mais ó, isquici.” Então “isquici” também.
De tarde uns “peão” foi pular com os boizinho da fazenda e de cara assistimos nosso primeiro rodeio.
A noite combinamos de pra preparar o jantar, eu pegava a galinha, o Paulo matava e D. Ruth a preparava.
A correria pra pegar a galinha foi um piseiro danado. Cachorro, corre pra lá, tropeça aqui. Pegamos, matamos e enquanto D. Ruth preparava a janta, Mané, Paulo e eu fomos à cidade pra ligar, abastecer, jogar as fotos na net e comprar cerveja.
Voltando a fazenda jantamos a comidinha massa feito no forno a lenha, com as habilidades de D. Ruth.
Conversamos muito na varanda até altas horas e fomos dormir com os pedidos de ficar mais um pouco.
Mas não tem jeito amanhã temos de partir.

08/08 - Águas Claras / Inocência MS

Sétimo dia – KM 2095

Acordamos umas 8 horas dispostos a pescar conforme as promessas do Reginaldo. Tomamos café na padaria e a oficina já estava no gás, lotada de serviço.
Lá pras 11 hs o gordinho que ajuda na oficina foi nos levar pra pescar no Rio Verde.
Pegamos enrosco bastante, mas peixe que é bom nada.
Depois do almoço, arrumamos as coisas, tiramos foto com o pessoal e pau no gato!
Na hora de sair da cidade, mesmo com os rádios tele comunicadores ligados, faltou comunicação na hora de resolver onde abastecer e sem resolver seguimos viagem.
O que eu não sabia era que a estrada pra Lagoa Santa era deserta, só tinha grandes fazendas, e durante um trecho grande não havia posto.
Carro não passava, dava pra acelerar, mas a estrada não era muito boa e ouvimos muito pedido de cuidados com bichos que atravessam a estrada.
No meio do caminho topamos com uma comitiva vindo em sentido oposto, tivemos que aguardar a boiada passar, pra sair daquele poeirão.
Com 116 km, já preocupados com a gasolina na reserva o Paulo me gritou no rádio: “fudeu, fudeu, fudeu, fudeu” e deu seta pra direita.
Acabou a gasolina dele e tiramos duas latinhas da Bros que ainda tinha. Pelas informações o posto estava próximo.
Mas as motos rodaram mais 17 km e finalizou das duas juntas, no meio do nada, nada mesmo. Cerradão até onde a vista alcança.
Não foi fácil, mas conseguimos parar duas carretas pra perguntar a quantos quilômetros estava o próximo posto.
10 quilômetros.
De moto em 10 minutos estaríamos lá, mas empurrando elas, fi...
Deixamos de moita a moto do Paulo e começamos a pedir carona.
A idéia era um pegar carona pro posto, conseguir gasolina e carona pra voltar enquanto o outro esperava olhando as motos.
Era ruim pros dois porque a tarde tava caindo dando lugar pra noite naquele fim, sem gasolina, com duas motos carregadas, sem falar nas histórias de onça que o lazarento do Karkça ficou contando, rapaz...
O Paulo conseguiu carona de um caminhoneiro e eu fiquei né bicho.
Deixei as motos juntas na porteira da fazenda próxima e enquanto isso o Paulo foi trocando idéia com o caminhoneiro, falando da viagem, coletando informações.
Do meu lado a tarde caía, e quando eu menos esperava chegou uma viatura da civil, um policial com uma escopeta desceu e pediu: “mão na nuca, de costas, mão na nuca... ajoelha, ajoelha e deita no chão...COM A MÃO NA NUCA!"
Revistaram-me, reviraram as malas, mas foi tranqüilo, natural pra mim. Disseram que foi denuncia e pediram até desculpas.
Do outro lado o Paulo conseguiu garrafas, gasolina e carona pra voltar com um senhorzinho numa saveiro.
Esperando na porteira da fazenda chegou um ônibus escolar, tirei as motos do caminho e ele desceu com um monte de molecada me olhando e eu acenando.
A noite chegou e o Paulo não tinha chego.
Quem chegou foi um casal numa fan, e tava bem escuro, então um ficou ressabiado com o outro.
Ruth e Manoel.
O mane chegou logo perguntado: “estragou as motos ai?”
E eu expliquei tudo pra ele, falei que o Paulo tava demorando e tal. E ele me ofereceu uma garrafa de dois litros de gasolina pra ir atrás do Paulo.
Mas seria pior se nos desencontrássemos.
Mandei mensagem pro Paulo e ele me ligou, contando uma prévia do que viria a saber depois.

“O primeiro senhor que ele pediu carona se ofereceu. Foram numa saveirinho cinza bem antiga.
Eles foram conversando na estrada e o Paulo contando sobre tudo. Sempre se dirigindo com educação, o “senhor” aquilo, o “senhor” isso. E num certo momento da viagem, o senhor a 110 Km/h aumentou o sertanejo no ultimo volume e eles terminaram a conversa aos berros. Já era noite e a estrada tava escura, a frente o Paulo deduziu o trevo da cidade de inocência perto.
Com ele se aproximando, Paulo estranhou o senhor não ter diminuído. Quando viu que não ia dar tempo de desviar soltou o grito: “OLHA O TREVO VÉIO!”
E pau com o pneu esquerdo na guia, a lateral subiu quase a ponto de virar, pegou uma coluna de ferro, arrastou pelo gramado e cutucou a viga de concreto com as letras MS.”

Contei pro casal e mesmo com essa historia cabulosa, o cumpadi mane me ofereceu a moto dele pra socorrer o Paulo, acredita?
Deu ate o documento pra mim. falou pra ficar, ofereceu janta, banho e estadia na casa dele na fazenda. Meu...fiquei besta.
Acelerei a fan dele , encontrei o Paulo e ainda ajudamos a tirar a coluna que ficou embaixo do carro que o impedia de sair.
Outras pessoas apareceram pra ajudar então vazamos porque o casal nos esperava.
Quando chegamos com a gasolina, a Ruth e o Mané tavam preocupados. Abastecemos as motos e o mane insistiu pra ficarmos, não queria deixar a gente seguir viagem não, eita cabra de bom coração rapaz.
“A casa é uns 6km terrão pra baixo, vambora?”
E da-lhe traseira bambeando, areão subindo, rampa, mata-burro, foi como fazer um enduro com uma custom carregada.
Na casa conhecemos as duas filhas de Ruth.
Letícia e Patrícia. Duas meninas super simples e educadíssimas, uma família unida, feliz, hospitaleira.
Tomamos banho, jantamos reunidos na mesa, nos sentimos muito mais do que em casa.
Fomos dormir com uma coberta quentinha, cada um em um quarto e com promessas de um dia cheio das atividades da fazenda.
Só fui dormir meio triste e preocupado porque estou sem noticias de como estão as coisas em São Paulo.
Estamos voltando, mas os imprevistos parecem que querem compensar a outra parte da viagem perdida.

domingo, 10 de agosto de 2008

07/08 - N. Alvorada/Águas Claras MS

Sexto Dia- 1962 Km

Passamos três dias por cidades distantes uma das outras e era difícil o acesso a internet.
Hoje com acesso vamos postar os relatos atrasados.
A saída de Alvorada foi a saída mais cedo que conseguimos até agora, as 7:20 no “horário nosso” pegamos a estrada forte.
Na cabeça tínhamos que chegar a Campo Grande fazer a revisão de 4000 da minha Bros e seguir viagem.
Até que chegamos cedo, 8h40 já estávamos negociando a revisão pra acabar o mais rápido possível.
A moto foi revisada, lavada e 10:40 entregue quase virgem pra pegar o estradão de novo.
Abastecemos na saída da cidade e comentamos com o frentista que ainda não tínhamos sido parados uma só vez.
Não deu nem 3km pra uma patrulha rodoviária nos parar.
A parada foi tranqüila, os guardas eram bem gente fina, perguntaram sobre a viagem, brincaram, insistiram pra gente voltar pra conhecer o Pantanal e Bonito porque se perdêssemos essa oportunidade não teríamos outra. Tão gente boa que valeu até foto nas motocas deles.
Na estrada de novo para águas claras, aceleramos retas de perder de vista no meio do cerrado, muito calor. A sede batia a cada 10 km.
Na cidade de Rio Pardo almoçamos e no próprio restaurante tinha umas redes de descanso e nem preciso dizer que a estrada teve de esperar um bocadim.
Abastecidos e descansados, seguimos.
Nossa média de velocidade tava ótima, os retões não acabavam, mas sentíamos que tava rendendo.
Porém numa das descidas desse sobe e desce o motor do Paulo deu um estalo e começou a bater igual a império da casa verde, paramos na hora.
Com a corda que ele trouxe na caixa de ferramentas, a Bros guinchou a XR por 20 km até um posto.
Faltavam + 30km pra próxima cidade e os 20 km guinchados até ali estavam sendo cansativos e perigosos.
No Posto, o frentista indicou um mecânico de águas claras que iria cobrar um real por quilometro rebocado, na hora o Paulo recusou, não porque era abuso, o preço é justo, mas não tínhamos como gastar aquilo, daríamos outro jeito. O mecânico por telefone entendeu e falou: “Guenta aí” e em meia hora chegou com o carro.
Na oficina dele o conhecemos melhor. Reginaldo, gente finíssima sem rasgação de seda, rapaz gente boa mesmo.
Conhecemos também o Max e o Karkça, os mecânicos.
Esse Karkça não é um dos melhores mecânicos que eu já conhecei, ele é, com certeza, o MELHOR que eu já conheci.
O que aconteceu na moto do Paulo foi o pino que segura o pistão na biela que quebrou.
Serviço pra 2, 3 dias em qualquer oficina em São Paulo e o cara desmontou o motor, resolveu o problema e montou em 3 horas de serviço.
Enquanto eles iam arrumando a moto, íamos conversando e a amizade foi formando.
Só que ficou tarde pra procurar hotel na cidade, acredita que os caras improvisaram dois colchões num espacinho na oficina, Reginaldo mobilizou todo mundo pra nos dar o maximo de conforto e atenção que conseguia dar e foi mais do que suficiente pra nós. Ajuda federal.
Mais uma vez o imprevisto nos deu a oportunidade de conhecermos pessoas simples e extremamente do bem.
Temos que agradecer a disposição do Karkça que mesmo depois de acordar cedo e dar um trampo forte no dia, ainda nos levou no seu carro “virtualmente” turbinado, pra tomar cerveja na cidade até 3 horas da manhã.
Dormimos bem, só acordei incomodado com umas picadas de pernilongo, mas mandei exposis no couro e dormi feito um anjo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

06/08 - Guaíra PR / Nova Alvorada MS

Quinto dia – KM 1657

Olá miguitos, estamos enfim em Mato grosso do Sul, saímos de Guaíra8h30 de café tomado e após 10m de estrada atravessamos o Rio Paraná que divide os dois estados PR/MS.
Uma ponte de 6 km de extensão nos levou a solo mato grossense, a paisagem aqui muda em relação ao Sul, as terras aqui são muito mais voltadas à pecuária do que a plantações. E por falar em terras passamos por acampamentos sem terra e em um parei pra pedir água e conversar.
Passamos também por uma usina de etanol e açúcar em que a energia usada para moer a cana é gerada pelo próprio bagaço moído.
Chegamos a Dourado pra almoçar e nos demos conta de que o relógio aqui está há uma hora a frente do horário paulista.
Foi aí que aconteceu bastante coisas no dia. Dourado.
Por coincidência um rapaz gente boa sentado na mesa ao lado puxou assunto.
Brizola.
Conversamos bastante, falou sobre lugares, deu dicas de caminhos e conversa indo contou que ele tinha uma loja e locadora de motos com oficina, ofereceu uma assistência e aceitamos.
Precisávamos mesmo fazer a manutenção preventiva e uma revisão nas motos.
Na hora de abrir a ordem de serviço, foi necessário os documentos, nesse momento me dei conta de que tinha perdido a carteira. Após procurar em todos os lugares possíveis o Brizola me levou na garupa ao restaurante que almoçamos, mas sem sucesso.
Refizemos o caminho procurando e nada. Como pude ser tão idiota, mais uma vez perdi uma coisa tão importante e numa cidade que estávamos de passagem.
Era um problema muito grande e quando voltei à loja o Paulo queria me bater.
Já estávamos se informando com Brizola como tirar as segundas vias de documentos, cancelar cartões de banco, e ele também propôs anunciar na rádio da cidade. Descartou a possibilidade de, como diziam nossas desconfianças dignas de paulistanos, termos sido roubados em algum momento de distração.
No mesmo momento o celular do Paulo tocou, era o Robson.
Acreditam que acharam, ligaram para o banco, o gerente informou meu telefone, ligaram pra minha mãe em São Paulo, minha mãe avisou o Robson que ligou pro Paulo que me contou que minha carteira estava no Bradesco da cidade.
Recebi uma mensagem do banco no celular informando endereço, num e nome da pessoa que tinha encontrado.
Fui lá pegar e agradeci muito, mas muito mesmo.
Puta dum azar perder, mas uma puta duma sorte maior ainda achar. O acaso virou lógica. Se não encontrássemos o Brizola no restaurante, seguiríamos a viagem e não daria falta da carteira enquanto não precisasse dela, talvez a uns 300 km dali.
Voltei pra loja, nos despedimos do Brizola, tiramos fotos e trocamos e-mails.
Seguimos rumo a Campo Grande, mas só alcançamos Nova Alvorada do Sul, fechando o dia em 385 km.
Preparamos a janta e fomos conhecer a cidade, estamos voltando, amanhã pretendo fazer a revisão de 4000 km da bros e seguir viagem.
Até a próxima cidade com internet.
Abraços. Manda um grande abraço pro meu irmãozinho Mateus.

MUDANÇA DE ROTEIRO

Caros amigos, a vontade de conhecer a Amazônia e o nordeste é enorme, porém tão enorme é também minha preocupação com as pessoas que precisam de mim.
Improvisamos um roteiro de volta e estamos voltando. em 10 dia estaremos chegando. Mas continuaremos relatando.
Abraços e obrigado pela força e incentivos
Beto.

05/08 – Foz do iguaçú PR / Guairá PR

Quarto dia – Km 1372

Acordamos cedo para visitar as cataratas. Tomamos café e saímos. A viagem até as cataratas foi rápida e fácil, deixamos as motos no estacionamento, pagamos a entrada (mais barata para os brasileiros) e aguardamos o ônibus do parque. Descrever as cataratas não é fácil, acho melhor vocês olharem as fotos. Tivemos que ser rápidos na visita, pois a diária no hotel vencia as 11, mas corremos a toa, a D. helena nos entendeu e deixou até tomarmos banho antes de fechar a conta. Resolvemos almoçar em Foz e daí seguir viagem para Guaíra, cidade divisa com Mato Grosso do Sul e ainda fronteira com Paraguai.Nossa bagagem estava renovada com as caixas de detergentes Ypê que pegamos no mercado.O caminho que leva a Guaíra é uma BR que passa por vários distritos, beirando a represa de Itaipu, grandes plantações, muitas pontes e uma pequena prainha na beira da represa.Chegamos a Guaíra de modo fácil, nos hospedamos e fomos dar uma volta nom centro, aproveitamos pra jantar. Conhecemos a cidade e ajeitamos tudo para dormir e acordar cedo rumo a Campo grande

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

04/08 - Guaraniaçú PR / Foz PR

Terceiro dia - Km 1085

Hoje conseguimos acordar cedo, 6h00, mas o frio de Paraná e o edredom do Hotel nos tirou a coragem de levantar da cama.
Tomamos o melhor café da manhã até agora com frutas, pão integral, suco de laranja, bolo...e por falar em bolo o paulo foi pego pelo recepcionista do hotel quando enfiava dois pedaços de bolo no bolso da jaqueta.
Arrumamos os alforjes mais rapidamente e de uma maneira melhor e saímos as 8h30 da manhã.
Dispostos a chegar em Foz antes do meio dia, começamos com uma pegada forte e mantemos, quer dizer, considerando as motos que estamos, uma média de 95 km/h tá lindo.
Passamos por muitas paisagens de plantações de milho e trigo, terras de perder de vista.
Uns 5 km antes de chegar coletamos informações muito uteis sobre Ciudad el Este.
Planejamos e conseguimos chegar em Foz até o meio dia e meio e nos hospedamos no hotel Alvorada, a 800 metros da ponte da amizade, ponte que leva ao Paraguai.
Hotel bacana, mas uma facada inesperada, 70 reias c/ café da manhã e piscina, inútil nesse frio, mas pela facilidade ficamos. deixamos a moto no estacionamento do hotel, guardamos as coisas no quarto e fomos a casa de câmbio vizinha trocar uns reais por dólares.
Apenas com a carteira e os documentos, atravessamos a pé a ponte da amizade pra fazer as compras no país vizinho. A mureta da ponte é baixa e o paulo ficou me zoando porque fiquei apreensivo com a altura.
Em ciudad del este, andamos bastante, mas compramos pouco, porque estamos aqui a passeio né?
Lá, não é a “loucura” que os paranaenses viam nos falando pelo caminho, eles diziam isso porque nunca enfrentaram uma 25 de março em semana natalina.
“Cuidado que tem batedor de carteira , né?” ;“Daí, fora a bagunça, muito lixo, daí...”
Pow, nós somos paulistas véio! Que ambiente seria mais familiar?
Compramos cartão de memória de 1 Gb pra câmera, uma isca de pesca, dois cds de mp3 e dois rádios comunicadores com headphones pra nunca mais acontecer de pegar fogo na moto e o Paulo não me ouvir. Tudo saiu por uns 75 dólares.
Os dólares acabaram e viemos de volta para o hotel.
Tem uns “amiguitos” que fazem a travessia de moto por 3 reais, negociamos o moto taxi só pra atravessar por R$ 5 os dois.
Montamos na garupa das kentos dos paraguaios e eles picaram a mula.
Vim trocando mó idéia, os vizinhos são gente boa pra caramba.
A vinda até Foz fez com que a gente gastasse bem acima da média,a diária do hotel, as compras no paraguai, e amanhã pra visitar as cataratas provavelmente vamos desembolsar mais uns 35 reais.
Roteiro Turístico da gasto então começamos a cortar gastos imediatamente, sem perder o conforto da viagem.
Fomos ao mercado e compramos, 2 miojos, sardinha c/ molho de tomate, queijo ralado, caldo knorr, alcool e tang de limão.
Passamos numa loja de utilidade quase fechando e compramos uma caçarola, uma leiteira e talheres, mas na falta da espiriteira, o paulo com seu dom de improvisação e praticidade de McGiver bolou um fogareiro o suficientemente bom pra fazermos um banquete dentro do quarto gastando apenas 6 reais.
Amanhã pretendemos acordar cedo, visitar as cataratas e subir ao norte do Paraná em direção a Guaíra pra atravessar o Rio Paraná de balsa para Mato Grosso. Relataremos assim que tivermos acesso a internet novamente. Abraços. Vejam as fotos também no link ao lado.

domingo, 3 de agosto de 2008

03/08 - Curitiba PR / Guaraniaçú PR

Segundo dia - Km 879

Hoje tentamos acordar cedo, mas o celular do paulo falhou e acordamos atrasado.
tomamos o café incluso na pernoite do hotel, pegamos as motos no estacionamento, arrumamos os alforjes e partimos umas 9h30.
Pegamos a Br-277 e mantemos a média de 80km/h. O tempo no ínicio tava bom, a estrada ótima, daqui pra foz ela é toda pedagiada, inclusive para motos, então tivemos garantia de estrada boa pra rodar.
Logo saindo de Curitiba pegamos um frio do Sul!
garoa persistente por uns 100 km. atrapalhou, mas estavamos bem preparados pra frio e chuva, mas os dois juntos enche o saco.
mesmo com a estrada boa não rendemos muito no começo, até a hora do almoço (15hs) tinhamos rodado apenas uns 250km. Comemos comida caseira feita no forno á lenha, um bocado de bom tche!
saímos de relógio (cidade que almoçamos) na intenção de chegar a Cascavel pois sabiamos que pra Foz não dava mais. Dai pra frente o tempo abriu, fez Sol, estrada boa, bem comidos, fizemos numa pegada forte, com poucas paradas e médias mais altas.
As Paisagens que vimos hoje foram incentivadoras, rios, cachoeiras, vales e montanhas de retratar folha de calendário.
Finalizamos as 18h30 depois de nos km finais pegar uma friaca braba de zona serranea, nos hspedamos em Guaraniaçú no Hotel Dallas, num quarto com duas camas, bem ajeitado e quente por 36 reais com café da manhã. Fechamos 460 km.
Saímos pra comer algo e dar uma volta na cidade, bem pequena. amanhã pretendemos sair bem cedo e chegar a foz até meio dia, conhecer as cataratas e dar uma volta em ciudad del leste.
Valeu pelos comentários. continuem torcendo e acompanhando os relatos. um abraço a todos.

sábado, 2 de agosto de 2008

02/08 - São Paulo SP / Curitiba PR

Primeiro dia - Km 419

Agora entendi porque meu irmão ficou tão preocupado quando viu, na preparação das malas, que o alforje tava pegando no escapamento, falei pra deixar pra lá, que tava bom, mas ele teimou. Ainda bem.
Ontem foi corrido, compra coisa, arruma outra, vai ali, vai aqui.
Saímos da casa do Paulo as 6:30, fomos pela marginal, no primeiro posto paramos pra abastecer e pra injetar a vacina de pneu. Partimos efetivamente as 8:30, cruzamos São Paulo e pegamos a Régis Bittencourt. Rodovia tão famosa por ser tão perigosa, engolimos seguradamente 133 km numa golada só. Na primeira parada já notamos um erro previsto, o alforje do Paulo pressionou a lateral da moto dele contra o escapamento e derreteu um pedaço. Tudo resolveu-se com um papelão separando o escape da lateral. Ele perguntou: “será que tem risco de pegar fogo?” eu dei risada na cara dele: “para paulo, vamo aí...”
160 km adiantes deparamos com uma carga derrubada na pista, tinha várias garrafinhas d’água, o Paulo pegou 3 e arrumou na aranha pra tomarmos mais tarde.
Não rodamos nem 5 km e comecei a sentir cheiro de papel queimado...papelão queimado...caralho a moto do paulo ta pegando fogo!
A fumaça vindo do escapamento dele na minha cara, comecei a buzinar igual louco, ele não me ouvia, tentava passa-lo e não conseguia, quando ele me ouviu, acenei desesperadamente pra ele parar, ele parou e o fogo subiu, subitamente cada um pegou uma garrafinha, daquelas que ele tinha pego, e jogamos.
Quando passou o susto ele olhou pra garrafinha na mão e soltou dando risada: “mano, isso é coisa de Deus!
Não teríamoságua de fácil acesso praquele momento se não fosse aquela.
Fora isso a viagem foi totalmente tranqüila, o pedal de descanso se mostrou indispensável. A rodovia, o tempo, as motos, tudo foi favorável. Estamos em Curitiba e amanhã partiremos pra Foz do iguaçu. Abraço a todos. Desculpe ser tão direto. Precisamos aproveitar a viagem. Relatamos em breve.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Partida

Dizem que roupa suja se lava em casa, mas não posso deixar de tocar num assunto que, querendo ou não, faz parte de tudo isso.

Esse não é um relato, é só um comentário pessoal e peço com licença.

Desde que comecei a pensar nessa viagem pra mim, tinha em mente que ninguém precisava saber, o que era importante fazer era comunicar meus entes mais próximos da possibilidade de um dia partir numa empreitada dessas. Com eles sempre fui claro da vontade que tinha de realizá-la. Queria saber da opinião deles e ninguém se manifestou completamente contra.

Com o caminho favorável, fui amadurecendo a idéia e junto comigo todos acompanhavam ela solidificando-se.

Quando fizemos uma previsão de viagem, pensamos detalhe por detalhe, e nesse caso usei da intuição observando como o cenário a minha volta reagia.

Hoje estou diante da oportunidade de concretizá-la, mas nem tudo saiu como eu imaginava.

Quem já viajou assim sabe que a hora de partir é a mais difícil, principalmente pra quem fica.

Quando marcamos o dia certo da partida e concluímos: vamos. Sem perceber nos predestinamos a ir, suportando o que viesse a acontecer.

E confesso que ta difícil.

Na época tudo estava bom, todos estavam bem.

Entendemos que, principalmente as pessoas que mais sentirão nossa falta, guardam até o ultimo momento a esperança de que iremos desistir e volta atrás, acabam instintivamente tomando atitudes pra conseguir isso. Respeitamos.

Mas a verdade é que fica cada vez mais difícil voltar atrás na ultima semana. Só o que não pode é confundir de ultima hora, determinação com frieza e egoísmo. Por favor.

Eu poderia estar saindo melhor com minha consciência, mas infelizmente vou ter de partir sem a benção de minha mais importante companheira.

Eu quis assim e preciso ser forte, sei que os esforços extrapolaram os limites de cada um. Espero que fiquem bem.

Torçam por nós.